sexta-feira, 22 de outubro de 2010

tarde de 22 de outubro


Fazendo travessias... Isso é o que fazemos nesse grupo.

Estamos reunidos hoje na FE, em outra sala. Pouco a pouco, as pessoas chegaram: eu, Tacita, Regina, Cláudia, Tânia, Daniel, Thaís, João, Tiago e Alexandre.


Hoje temos como pauta a discussão dos artigos: A HISTÓRIA DA DISCIPLINA ESCOLAR CIÊNCIAS NAS DISSERTAÇÕES E TESES BRASILEIRAS NO PERÍODO 1981-1995  de Moreira e Ferreira, 2001 e também DISCURSOS SOBRE A MATEMÁTICA ESCOLAR: UM ESTUDO A PARTIR DA REVISTA NOVA ESCOLA de Oliveira, publicado numa RA da ANPED.

Daniel expôs os principais pontos desses trabalhos, realçando alguns aspectos que são muito importantes para a compreensão da natureza das disciplinas escolares:

1. a importância de desnaturalizar a existência das discplinas escolares no currículo, trazendo as marcas de luta e negociaçõa para manutenção de determinados campos. Há fatores externos - políticas de financiamento, a força das comunidades - que também determinam a manutenção ou não de determinadas disciplinas e determinadas formações. Essas estruturas são construídas social e politicamente por comunidades disciplnares que, na busca de recursos e de apoio ideológico, são diretamente influenciadas também por grupos ou facções externas a elas.(MOREIRA e SERRA, p. 4)  É necessário compreender porque muitas propostas curriculares construídas a partir de objetivos menos acadêmicos acabam também por se estruturar de modo disciplinar, não se constituindo como alternativas concretas de mudança curricular. (MOREIRA e FERREIRA, p, 4 e 5)

2. . tal desnaturalização desvela a materialidade de diferentes exemplos no currículo brasileiro no contexto das disciplinas escolares, como é o caso da entrada da figura das “competências e habilidades” , noção que é fruto de influências de grupos e agências de financiamento externas.

2. Em relação aos discursos que marcam a natureza das disciplinas escolares, o segundo artigo escrito numa perspectiva foucaultiana, focaliza como a Revista Nova Escola cria elementos definidores da imagem da Matemática junto aos professores.Os discursos, cujos enunciados apresentam a Matemática como difícil, anunciam a idéia de que saber matemática é executar com precisão certos algoritmos ensinados na escola.(p. 7) Ainda: ao longo das páginas de Nova Escola, pode-se deduzir que a Matemática só não é mais difícil no seu ensino e na sua aprendizagem porque existe a Revista a qual, além de tudo, parece também assumir a função de simplificadora dos manuais didáticos(p.8) Ou ainda: o professor experimenta uma espécie de sensação de culpa que o remete ao lugar da incompetência, porque ele não consegue compreender a Matemática, nem colocá-la em “prática” na sala de aula. Ele, então, “precisa” da Revista, e por decorrência também dos Parâmetros Curriculares Nacionais, para sair da sua “carência” teórica e metodológica.(p. 10)

Importante notar que nas últimas semanas as leituras que estamos fazendo nos remetem a diferentes contextos discursivos que produzem imagens sobre as disciplinas escolares: - no texto de Moisés Oliveira, nos damos conta dos discursos produzidos no cotidiano da escola; - no texto de Moreira e Serra, nos atemos a discursos produzidos sobre a disciplina escolar no meio acadêmico e, por fim, no texto de Oliveira, os discursos produzidos em veículos de mídia voltadas ao campo educacional.