sexta-feira, 13 de agosto de 2010

NOSSO ENCONTRO NA SEXTA-FEIRA, DIA 13... DE AGOSTO

Carlos Augusto Silva no sua formatura na licenciatura integrada em física/química na UNICAMP
Olha só: sexta-feira, 13, do mês de... agosto... A bruxa está solta?

Não, acho que não... pelo menos, se ela está solta por aí, não veio até nós, hoje, na LL 02.
Estamos tendo um encontro muito prazeiroso, com a presença de Bete, Carlos Augusto, Daniel, Regina, Tacita e Tânia.  Procuramos Carolzinha no Skype, em duas máquinas: na minha e na de Tacita e... nada. Primeiro apareceu, depois ficou off line. Que pena, Carol! Agora as notícias vão pelo blog.
Começamos pela organização da agenda para o semestre. Combinamos a leitura de livros de Moisés Oliveira, Bruno Latour e Foucault.
Vamos organizando melhor o percurso na caminhada, em relação à sequencia das leituras.

Carlos Augusto Silva criança

Passamos para a apresentação do projeto de mestrado do Carlos Augusto, com o título provisório de:

"Investigação sobre o currículo de química na cidade de Paulínia/SP, e suas possíveis relações de influências com os aspectos sociais e econômicos desta cidade”

Carlos iniciou apresentando sua novela de formação (como define Jorge Larrosa). Narrou sua infância cheia de dificuldades, desafios e conquistas e expressou de forma amorosa, o vínculo com seus avós, o desejo da docência, as descobertas profissionais e, finalmente a chegada ao mestrado na Unicamp.

Seu projeto tem como inspiração teórica principal as contribuições advindas do sociólogo britânico Stephen Ball e seu modelo de ciclo de influências. (BALL e BOWE, 1992)
Nosso grupo já vem trabalhando, há algum tempo, com esse autor, sendo que a interlocução com estudiosos brasileiros importantes como a profa. Alice R. Lopes (UERJ) e Jefferson Mainardes (UEPG) tem adensado de forma muito intensa, nossas leituras e compreensões.
Carlos também se aproxima do conceito de recontextualização (Bernstein) e Tânia bem lembrou, algumas ressalvas que Alice Lopes faz à forma como essa noção aparece no pensamento de Bernstein.
Ainda nessa linha teórica, Ivor Goodson também é um teórico importante para a investigação de Carlos. Desse autor, traz a discussão de que existe uma distância inevitável entre currículo prescritivo e curriculo vivido. Ou seja: as práticas curriculares são incontroláveis diante das prescrições, usualmente presentes nos documentos produzidos a partir das políticas oficiais.

Seu projeto se inspira também - do ponto de vista metodológico - na possibilidade de ouvir histórias. Historias de quem? Histórias de praticantes do cotidiano, dos pequenos, dos narradores - homens ordinários da vida comum (CERTEAU). São moradores da cidade de Paulínia, egressos de escolas nas quais experimentaram a química escolar no currículo. Paulínia - uma cidade química. Ambientalmente controlada, mas num controle tênue e tolerante. A cidade de maior ICMS do Estado de São Paulo, que ultimamente, esforça-se para se transformar em "capital cultural" do país - meca do cinema e das artes.
Essa cidade química abriga moradores com memórias a respeito da química escolar.
Que memórias são essas?
Narrar é contar uma história, comumente dizem os manuais de redação.
Carolina Galzerani, nossa querida professoramiga, nos ensina:
"Segundo Walter Benjamim,a memória é uma tessitura feita a partir do presente, é o presente que nos empurra em relação ao passado, uma “viagem” imperdível, uma “viagem” necessária, uma “viagem” fundamental, para que a gente possa trazer à tona os encadeamentos da nossa história, da nossa vida, ou da vida do outro." (GALZERANI, 1999:8)

Para Benjamim, o ato de contar uma história faz com que esta seja preservada do esquecimento. Desta maneira, posssibilidades são criadas para ser contada novamente e de outras maneiras.
O sentido dessa história só será possível no olhar do outro, na relação com outras histórias. Benjamim diz, todos somos historiadores, produzimos histórias, pois todos produzimos memória.
Aquela antiga coordenação de alma, olhos e mãos, que aflora nas palavras de Valéry, é artesanal, e encontramo-la onde quer que esteja a arte de narrar. Sim, podemos mesmo ir mais longe e perguntar se a ligação que o narrador tem com sua matéria –a vida humana –não é, ela própria, uma relação artesanal. Se a sua tarefa não consiste, precisamente, em trabalhar a matéria-prima das experiências –as dos outros e as suas próprias –de uma maneira sólida, útil e única. Trata-se de uma transformação. (BENJAMIN, 1992:56).
José Machado Pais, sociólogo português,  a narração é um método, um caminho vasto e comum para chegar à realidade de qualquer coisa. Um caminho escuro que se vai clareando à medida que se vai fazendo, isto é, à medida que o percorremos (Pais, 2001).

MEMÓRIAS:

"..quando a Petrobrás veio, as pessoas diziam que vinha uma fábrica grande de querosene[...] ... ingenuidade! a gente achava que tinham descoberto petróleo aqui. A gente não imaginava como seria refinaria...”

". pra nós aquilo era uma novidade. Só que no primeiro impacto foi horrível! Porque começaram a passar muitos caminhões e nós morávamos na avenida e aquilo era uma poluição, nossos portões ficaram pretos e todo mundo fez uma campanha pra desviar, mas pra onde que ia desviar, não tinha outro lugar, pra passar os caminhões...”

". ... é a única lembrança que eu tenho. O nosso professor de química chamava-se, é... Luis de Moraes. Eu não me lembro uma fala, uma instrução, uma visita que pudesse nos, despertar em nós o interesse pela química ou pelas mudanças que tavam vindo. O que eu me lembro que... eu... hoje, com o distanciamento do tempo, me permite fazer uma análise, que teria um interesse em preparar a população pela, para a Petrobrás, era, foi uma feira, eles criaram uma feira agroindustrial, chamada FAIPA..".

"...eu detestava química... à exceção desta feira, da FAIPA, no dia-a-dia da cidade e, um, mais precisamente na escola... a presença das indústrias químicas na cidade, não chegava de nas aulas de química...”

“...o que se prega hoje é que o currículo deve valorizar aspectos da vida local. Se você olhar, por exemplo, na parte escrita, você vai ver lá: adequação, formar cidadãos conscientes do seu espaço, da sociedade onde convive, da sociedade mais ampla, né, do seu entorno, essas são palavras, já virou um jargão porém, eu não vejo contemplado, nesse currículo, nenhum ponto, nenhuma ação de fato prática, ou então assim, dentro do curso de química, orientar os alunos sobre as possibilidades, sobre as carências, sobre as necessidades, as ações e consequências de... Isso que eu acho que falta: uma coisa muito objetiva. A ponto de fazer com que o aluno reflita...”


...as aulas de químicas eram muito fracas, muito fracas [...] as indústrias químicas daqui nunca eram mencionadas nas aulas..”

"..o que se prega hoje é que o currículo deve valorizar aspectos da vida local. Se você olhar, por exemplo, na parte escrita, você vai ver lá: adequação, formar cidadãos conscientes do seu espaço, da sociedade onde convive, da sociedade mais ampla, né, do seu entorno, essas são palavras, já virou um jargão porém, eu não vejo contemplado, nesse currículo, nenhum ponto, nenhuma ação de fato prática, ou então assim, dentro do curso de química, orientar os alunos sobre as possibilidades, sobre as carências, sobre as necessidades, as ações e consequências de... Isso que eu acho que falta: uma coisa muito objetiva. A ponto de fazer com que o aluno reflita...”

Acima, alguns fragmentos de rememoração dos narradores que tão gentilmente ofereceram sua experiência para Carlos, como pesquisador.

Tiago chegou às 16 horas, Que bom, Tiago!!!
Sentimos falta do João e saudades também da Thaís e do Alexandre.
E a Cláudia adiou um pouquinho sua chegada no grupo, mas tenho certeza que o dia da estréia chegará, entre nós...

A discussão está sendo muito boa com participações interessantes de todos.
A questão que se colocou a partir das 16 horas, foi: que relações são possíveis entre educação e ascensão econômico-social? Os profissionais da educação reconhecem que seu conhecimento não é mercadoria?
Como a atual sociedade de consumo situa o valor do conhecimento, da intelectualidade e, por conseguinte, a educação?